O corpo aguenta tudo? O que as provas de resistência do BBB revelam sobre limites físicos reais
Horas em pé, pouco movimento, jejum e hidratação limitada expõem riscos que vão muito além do entretenimento — especialistas explicam o que acontece no organismo quando esses limites são ultrapassados
Prova de resistência do BBB 26 - reprodução Globoplay
As provas de resistência do Big Brother Brasil costumam prender o público pela tensão, pela disputa psicológica e pela promessa de superação. Mas, longe das câmeras e da audiência, o corpo humano não funciona como um personagem de reality show — ele responde, cobra e, em alguns casos, entra em colapso. Permanecer horas na mesma posição, enfrentar longos períodos sem alimentação adequada e reduzir a ingestão de líquidos pode desencadear uma série de reações fisiológicas que vão do desconforto imediato a riscos reais à saúde. Especialistas explicam o que acontece no organismo em situações extremas como essas, quais são os primeiros sinais de alerta e até onde o corpo consegue, de fato, ir sem consequências graves.
Ficar muito tempo em pé ou na mesma posição: o corpo “trava” a circulação
Para o cirurgião vascular Dr. Caio Focássio, ficar parado por longos períodos — em pé ou sentado — é um dos gatilhos mais comuns para inchaço, dor, sensação de peso nas pernas e piora do retorno venoso.
O corpo humano não foi feito para ficar imóvel por horas
De forma prática, ele reforça que o ideal é não passar de 60 a 90 minutos totalmente parado. “Se houver dor intensa em uma perna só, assimetria de inchaço, vermelhidão, calor local, falta de ar ou dor no peito — já é sinal de perigo”, fala o médico
Eletrólitos: quando há suor excessivo, não é só “água”: pode haver perda de sais
“Neste tipo de prova, o corpo perde muito mais do que água. O suor excessivo leva embora eletrólitos importantes, como sódio, potássio e magnésio, que são fundamentais para a contração muscular, o funcionamento dos nervos e o equilíbrio do organismo. Quando essa reposição não acontece, o corpo começa a dar sinais claros: câimbras, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náuseas, sensação de ‘apagamento’ e até confusão mental. O alerta é simples: se surgirem câimbras repetidas, mal-estar persistente, batimentos acelerados ou queda de rendimento, é sinal de que o equilíbrio de sais do corpo já está comprometido e a situação precisa ser interrompida para reidratação adequada e avaliação de saúde. Vale destacar que nem toda bebida garante hidratação adequada. O consumo frequente de chás com efeito diurético, bebidas cafeinadas ou grandes volumes de água sem reposição de eletrólitos pode intensificar ainda mais a perda de sais pelo suor, agravando os sintomas e aumentando o risco de mal-estar.”, fala Jamar Tejada, farmacêutico homeopata.
Desidratação aparece primeiro na mucosa
“Em provas longas de resistência — e também na vida real — a desidratação costuma se manifestar primeiro nas mucosas, especialmente na boca, garganta e vias aéreas superiores. A redução da hidratação resseca essas estruturas, levando a boca seca, sensação de garganta arranhando, pigarro frequente e favorecendo o surgimento de rouquidão, principalmente em quem fala ou força a voz por longos períodos. Ainda sob estresse e esforço prolongado, é comum que a respiração passe do nariz para a boca, o que acelera ainda mais o ressecamento da garganta e aumenta o desconforto, podendo causar tosse seca, ardor e dificuldade para sustentar a voz. Em ambientes frios ou com ar-condicionado — muito comuns em estúdios e locais fechados — esse efeito é potencializado, já que o ar seco agride diretamente a mucosa.
De modo geral, não existe um tempo exato igual para todos, mas em situações de esforço contínuo, calor ou ar-condicionado, os primeiros sinais podem surgir após poucas horas sem hidratação adequada. Boca muito seca, dificuldade para engolir, voz falhando, tosse seca persistente, ardor intenso na garganta e sensação de falta de ar são sinais de alerta de que a mucosa já está sofrendo e indicam a necessidade de interromper a atividade, hidratar-se imediatamente e, se os sintomas persistirem, buscar avaliação médica”, alerta Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, médico otorrinolaringologista.









