Incontinência urinária afeta rotina de gestantes
Estudo da TENA aponta que perdas de urina atingem cerca de 40% das grávidas no Brasil e ainda são cercadas por desinformação e constrangimento
É preciso vencer tabus e falar de incontinência urinária
Na semana passada, Tena, marca da Essity, divulgou um estudo sobre incontinência urinária na gravidez e no pós-parto no Brasil, destacando o impacto físico, emocional e social da condição na rotina feminina. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, cerca de 40% das gestantes no país apresentam episódios de perda urinária, ainda cercados por desinformação e estigma.
O levantamento, realizado pelo Okno Núcleo de Estudos, ouviu mulheres que vivenciaram escapes de urina durante a gestação e o puerpério. Entre os dados, 95% afirmaram que a condição afetou a rotina, e metade relatou episódios duas a três vezes por semana. Além disso, 84% já passaram por situações inesperadas em locais como trabalho ou espaços públicos.
O impacto se reflete em mudanças no dia a dia: 53% passaram a ir ao banheiro antes de sair de casa e 40% buscam locais com sanitários disponíveis. Também houve redução na ingestão de líquidos (45%) e alterações no vestuário, como evitar roupas claras ou justas.
O constrangimento é um dos principais fatores associados à condição. No primeiro episódio, 82% relataram sentimentos como vergonha e desconforto, e muitas compartilham o problema apenas com pessoas próximas. Apesar de 73% já terem ouvido falar sobre o tema, principalmente em consultas médicas, ainda há falta de informação aprofundada.
Outro dado relevante é que metade das entrevistadas não sabe que existem produtos específicos para incontinência urinária, recorrendo, em alguns casos, a absorventes menstruais comuns, que não atendem adequadamente às necessidades.
Para a ginecologista Joele Lerípio, a falta de informação contribui para o sofrimento silencioso. “Embora seja frequente na gestação e no pós-parto, a incontinência urinária não deve ser encarada como algo que a mulher simplesmente precisa aceitar. Existem diferentes abordagens terapêuticas, como fisioterapia pélvica, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamentos médicos específicos. O primeiro passo é falar sobre o tema e buscar orientação profissional”, afirma.
A especialista também alerta para riscos de estratégias inadequadas, como reduzir a ingestão de líquidos. “Diminuir a ingestão de água não é uma solução e pode favorecer infecções urinárias e outros problemas. A avaliação individualizada é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida da paciente”, completa.








