Sinais na pele podem indicar risco para o coração

Alterações como dobra no lóbulo da orelha, placas nas pálpebras e anel esbranquiçado nos olhos podem estar associadas a colesterol alto e doenças cardiovasculares

Atualizado em 24/02/2026 às 20:02, por Jaqueline Falcão.

Manchas na pele, a exemplo do sinal de Frank (dobra diagonal no lóbulo da orelha), e alterações como xantelasma (placas amareladas nas pálpebras), xantomas tendinosos (nódulos firmes em tendões, especialmente no de Aquiles) e arco corneano (anel esbranquiçado ao redor da córnea) no corpo podem funcionar como marcadores visíveis de risco cardiovascular. Quem alerta é diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Instituto do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), Luiz Bortolotto.

Para o especialista, a presença desses sinais deve levar o paciente a uma avaliação cardiológica, mesmo sem sintomas clássicos. “A investigação inclui exames de colesterol, triglicérides, glicemia e testes de imagem para verificar a formação de placas nas artérias. Não há, entretanto, necessidade de busca imediata por serviços de urgência — a avaliação pode ser feita em consulta de rotina.”

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Bortolotto ressalta ainda que o médico pode identificar outros achados relevantes, como pulsos periféricos diminuídos, sopros nas carótidas, pressão arterial elevada e aumento da circunferência abdominal. Valores de pressão a partir de 140/90 mmHg, afirma, já configuram risco cardíaco aumentado.

A presença desses sinais ganha ainda mais peso em pessoas jovens e assintomáticas, pois pode indicar distúrbios metabólicos importantes, geralmente associados a fatores de risco tradicionais. Quando aparecem precocemente, reforçam a necessidade de investigação direcionada e acompanhamento especializado para prevenção de doenças do coração.

Embora não exista relação direta entre o sinal de Frank, demais alterações e infarto, o Presidente do Conselho Diretor do InCor, Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, destaca que estudos já demonstraram associação entre o vinco no lóbulo da orelha e obstruções arteriais. Ele destaca, porém, que o sinal não é um fator de risco em si, portanto, não significa que todos os portadores terão doença cardíaca.

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“Os verdadeiros fatores de risco para infarto continuam sendo hipertensão arterial, diabetes, sedentarismo, tabagismo, colesterol elevado e consumo excessivo de álcool — elementos que comprovadamente aumentam a incidência de infarto e acidente vascular cerebral.” Segundo Kalil, a gordura abdominal também é um fator comprovadamente associado a maior risco de doença coronária e infarto. “Importante manter hábitos saudáveis e praticar exercícios, independentemente da presença ou não de sinais.”