Psicoterapia gratuita a pessoas com fibromialgia

Programa da Associação Fibromiálgicas do Brasil oferece acompanhamento psicológico para quem não tem plano de saúde

Atualizado em 24/09/2026 às 19:09, por Jaqueline Falcão.

pessoa com prancheta

Condição precisa de acompanhamento                                                                                crédito:divulgação

Durante uma crise depressiva profunda, Luciana Silva recebeu uma videochamada da psicóloga Idalina Senna, que a acompanhava pelo programa Adote uma Fibromiálgica. Mesmo à distância, a profissional acionou pessoas próximas para ajudar a paciente. “Eu estava em uma crise depressiva muito forte. Ela fez uma videochamada comigo e entrou em contato com várias pessoas na minha cidade, pedindo socorro para que pudessem me ajudar. Esse socorro chegou até a minha casa”, recorda.

Luciana convive com a fibromialgia há dez anos. Depois de dois anos de dores intensas, limitações e depressão, deixou o emprego formal e passou a trabalhar como massoterapeuta. Hoje, estuda fisioterapia e atua como liderança da causa na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul. “Ser liderança não é fácil. Sou fibromiálgica e lido com outras fibromiálgicas", diz.

Tem momentos em que precisamos ser um pouco mais fortes e momentos em que eu também preciso ser acolhida” 

Luciana Silva

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O programa Adote uma Fibromiálgica, da Associação Fibromiálgicas do Brasil, conecta psicólogos voluntários a pessoas com a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a fibromialgia atinge de 2% a 3% da população brasileira e pode provocar, além da dor generalizada, fadiga, alterações do sono, problemas de memória e atenção, ansiedade e depressão.

 Quando a dor muda a rotina

Débora Teixeira, professora concursada em Arroio dos Ratos (RS), foi diagnosticada com fibromialgia há três anos. As dores persistentes prejudicam seu sono e se intensificam em períodos de estresse. “Às vezes, não consigo dormir de tanta dor. (...) Quando estou muito estressada, vêm as dores e não param”, relata.

Ela também passou a apresentar lapsos de memória e dificuldade para encontrar palavras durante as aulas. Para se adaptar às limitações, pediu transferência do ensino fundamental para a educação infantil. No programa, encontrou acompanhamento psicológico e um espaço para falar sobre experiências que antes guardava para si. “Só poder desabafar já dá um alívio”, afirma.

Para a psicóloga Idalina de Senna Flôres, que é voluntária da associação há cinco anos, a falta de compreensão sobre a fibromialgia agrava o sofrimento. “Existe a dor de não ser acreditada, de precisar justificar constantemente o próprio sofrimento, de ter a sua capacidade questionada. Muitas vezes, elas se sentem sozinhas”, afirma.

O Adote uma Fibromiálgica surgiu diante do aumento do sofrimento psíquico entre pessoas atendidas pela associação. Para Idalina, a atenção à saúde mental precisa acompanhar quem convive com dor crônica durante todo o ano. 

A filiação à Associação Fibromiálgicas é gratuita. O programa de acompanhamento psicológico é destinado a maiores de 18 anos com diagnóstico confirmado de fibromialgia, cadastro atualizado na associação e na plataforma Fibro Social e que não tenham plano de saúde privado, conforme disponibilidade de vagas. Para saber mais, acesse www.fibromiálgicas.com.br.