Cirurgia bariátrica: os principais mitos sobre o tratamento da obesidade
Popularização dos medicamentos para emagrecer trouxe novas dúvidas sobre a indicação da cirurgia e o acompanhamento após o procedimento
Obesidade é doença e hoje os avanços trazem várias formas de tratamento crédito:free image- Joachim Schnürle/Pixabay
O avanço dos tratamentos para a obesidade ampliou as possibilidades de cuidado. Medicamentos como os agonistas de GLP-1 ganharam espaço, mas a cirurgia bariátrica continua sendo uma importante ferramenta para pacientes que precisam de uma abordagem mais intensiva. Ainda assim, o procedimento é cercado por mitos.
Um deles é a ideia de que quem faz bariátrica busca uma forma “fácil” de emagrecer. Para o Dr. Carlos Schiavon, cirurgião bariátrico e cofundador do Instituto Obesidade Brasil, essa visão ignora a complexidade da doença. “A obesidade é uma doença crônica e não pode ser resumida à falta de força de vontade. Assim como temos os novos medicamentos para obesidade, a cirurgia bariátrica e metabólica é uma das opções de tratamento. A escolha entre as diferentes estratégias depende das características, das necessidades e da resposta de cada paciente”, afirma.
Bariátrica ou “caneta emagrecedora”?
Segundo o especialista, medicamentos e cirurgia não são necessariamente opções excludentes. “Os medicamentos trouxeram um avanço muito importante para o tratamento da obesidade e ampliaram as possibilidades terapêuticas. Mas isso não significa que a cirurgia deixou de ter indicação. São estratégias diferentes, que podem inclusive fazer parte do tratamento do mesmo paciente em momentos distintos”, explica.
Outro mito é acreditar que a cirurgia encerra o tratamento. “A bariátrica não encerra o tratamento. O paciente continua precisando de acompanhamento médico, cuidados nutricionais, atividade física e mudanças de hábitos. É uma ferramenta dentro de um tratamento contínuo”, ressalta.
Também não é correto afirmar que quem faz bariátrica nunca mais ganha peso. Como a obesidade é uma doença crônica, podem ocorrer oscilações ao longo do tempo e, em alguns casos, outras estratégias podem ser necessárias.
Não existe uma solução mágica para a obesidade
"Tanto a cirurgia quanto os medicamentos exigem acompanhamento e não devem ser encarados como soluções isoladas. O mais importante é tratar a doença de maneira individualizada e combater a ideia de que o paciente é culpado pelo seu peso”, afirma Schiavon.







