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Tudo o que você precisa saber sobre Febre Amarela

A febre amarela é a preocupação da população no momento e tem levado as pessoas para postos de saúde e clínicas particulares em busca de vacinação. Já faltam vacinas em clínicas privadas na cidade de São Paulo. Para sanar possíveis dúvidas, a  médica Rosana Richtmann, infectologista do Centro de Imunização do Hospital e Maternidade Santa Joana, responde aos principais questionamentos sobre a febre amarela:

Como a doença é transmitida?

Muito comum na América do Sul e Central, além de alguns países da África, a Febre Amarela é uma arbovirose, ou seja, uma doença causada por um vírus da família Flaviviridae, a mesma da Dengue e do Zika e transmitido por meio da picada de mosquitos em áreas urbanas ou silvestres.

A transmissão se dá exclusivamente pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabethes, no ciclo silvestre, e Aedes aegypti, no meio urbano. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

Qual é a melhor forma de prevenção?

A principal medida preventiva é a imunização por meio da vacinação, que é altamente eficaz.

Quais são sintomas provocados pela febre amarela?

As manifestações mais leves da doença incluem febre alta de início súbito, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.

Apesar de menos frequente, a forma mais grave da doença pode causar cansaço intenso, insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados) e hemorragias, podendo levar a morte.

Qual é o tratamento para a doença?

Ainda não existe um medicamento que atue diretamente no vírus, por isso, o paciente diagnosticado deve ser hospitalizado para tratar os sintomas com reposição de líquidos e monitoramento da atividade hepática e renal.

Quem deve tomar a vacina na cidade de São Paulo?

Nesse primeiro momento, a atenção está voltada para a população da Zona Norte da cidade, onde há maior possibilidade de contato com os mosquitos que transmitem a doença. As ações de prevenção devem ser aumentadas progressivamente ao longo dos próximos meses.

Existe alguma restrição?

Por se tratar de uma vacina de vírus vivo atenuado, existe um risco de complicações em pacientes mais vulneráveis. Fazem parte desse grupo:

Gestantes
Mães que amamentam bebes com menos de 6 meses de idade (pois existe risco de transmitir o vírus pelo leite)
Bebês com menos de 9 meses
Pessoas imunodeprimidas em razão de doença ou tratamento (quimioterapia, radioterapia, por exemplo)
Alérgicos à proteína do ovo

De que forma as gestantes e demais pacientes vulneráveis podem se proteger?

Como primeira medida de segurança, esse grupo deve evitar as áreas de mata da cidade, especialmente a região do Horto Florestal. Caso isso não seja possível, existem algumas outras formas de se proteger:

Optar por roupas claras, pois cores vibrantes atraem o mosquito;
Usar manga comprida e calça comprida, cobrindo principalmente as pernas e os pés (pois os mosquitos costumam voar baixo);
Evitar o uso de perfumes – esse é outro fator que pode atrair os insetos;
Usar repelente diariamente – essa dica é especialmente importante para gestantes, para evitar outras doenças como Dengue e Zika;
No caso de bebês com menos de dois meses, quando o uso de repelente não é indicado, a recomendação é usar um mosquiteiro em volta do berço e manter o ambiente fechado e fresco;
Que complicações a doença pode ocasionar durante a gravidez? E para o bebê?

Como a resposta imunológica da mulher é modificada durante a gestação, muitas doenças infecciosas acabam sendo mais graves para gestantes. No caso da Febre Amarela, caso ocorra a manifestação grave da doença, os efeitos podem ser fatais, tanto para mãe quanto para o bebê.

Diferentemente de doenças como o Zika, não há nenhuma indicação cientifica que a febre amarela durante a gravidez cause sequelas ou problemas congênitos ao bebê.

Quem já é vacinado precisa repetir a dose?

Não é necessário. Segundo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil adotamos a dose única da vacina.

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Sobre Jaqueline Falcão

Jaqueline Falcão
Jornalista por paixão e formação, Jaqueline Falcão escreve sobre saúde desde 2001. Começou no Diário Popular como repórter, foi editora de Saúde do Diário de São Paulo. Depois, foi transferida para o jornal O Globo, sucursal São Paulo, onde permaneceu por 7 anos. A ideia de criar o "Página da Saúde", voltado para falar de tratamentos, descobertas da medicina, qualidade de vida, foi a vontade de ter mais liberdade para falar saúde em seus diversos aspectos para pessoas que cada vez mais buscam informação de credibilidade. E para isso está sempre em coletivas, seminários e congressos médicos para trazer as novidades. Na Europa e Estados Unidos, participou de coberturas em congressos e seminários sobre os temas tabagismo, câncer, esclerose múltipla, pesquisa clínica, saúde masculina, saúde feminina, depressão, vacinas e patentes. Entre os cursos e workshops na área de jornalismo de saúde, destaque para ressuscitação cardiopulmonar, infarto, câncer de pele, tabagismo, pesquisas clínicas no Brasil e no Mundo, lançamentos de novas classes de medicamentos, realizados em instituições como Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Universidade de São Paulo, Unicamp, Tufts University (Boston - EUA), UC San Diego, Inter American Press Association (IAPA) e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

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